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Publicado em 09/10/2026

OMS lança primeiras diretrizes para tratar obesidade infantil; veja orientações para os pais 

  • Saúde

Acompanhamento profissional, alimentação equilibrada, atividades físicas e participação dos pais estão entre os cuidados fundamentais para prevenir a obesidade infantil, segundo nutricionista do Sesc Goiás  

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, no começo de outubro de 2026, as primeiras diretrizes globais para o acolhimento e cuidado de crianças e adolescentes com obesidade. O documento busca promover o desenvolvimento saudável e reduzir os riscos associados à condição, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. 

De acordo com a OMS, em 2024, cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade em todo o mundo. A prevalência nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%. Os números reforçam a importância da prevenção e do cuidado desde os primeiros anos de vida. 

Para a nutricionista Beatriz Teixeira, do Sesc Campinas, em Goiânia, um dos primeiros passos é acompanhar o crescimento e o desenvolvimento infantil com profissionais de saúde. A avaliação deve considerar as características individuais de cada criança, sem reproduzir os mesmos critérios utilizados para adultos. 

“A criança tem que ser avaliada de acordo com as curvas de crescimento. Desde que ela esteja dentro da sua curva de desenvolvimento, atingindo seu potencial de crescimento de acordo com o biotipo dela, a gente vai considerar essa criança dentro dos parâmetros adequados”, explica. 

A nutricionista ressalta que o peso, isoladamente, não é suficiente para avaliar o estado nutricional. Uma criança com excesso de peso também pode apresentar deficiências nutricionais quando consome alimentos de baixa qualidade nutricional e não recebe os nutrientes necessários para crescer e se desenvolver adequadamente. 

Família tem papel fundamental na construção de hábitos saudáveis 

A formação de hábitos alimentares começa em casa. Por isso, pais e responsáveis têm papel importante na oferta de alimentos, na organização da rotina e no incentivo a práticas saudáveis. Segundo Beatriz, atribuir à criança toda a responsabilidade pelas escolhas alimentares pode dificultar o processo. 

“Por mais que a nossa vida seja corrida, há coisas para as quais não dá para fechar os olhos e achar que vão se resolver sozinhas mais para frente. Precisa partir dos pais, principalmente quando são crianças pequenas”, orienta. 

A recomendação é que a família estabeleça limites com equilíbrio, sem transformar a alimentação em motivo de punição ou conflito. Doces e outras guloseimas podem fazer parte de ocasiões especiais, desde que haja moderação e uma rotina alimentar variada. 

“É necessário ensinar à criança que, em uma vida saudável, dá para comer doce, mas que não é legal nem normal comer doce todos os dias. É realmente de forma simples, ensinando essa criança a ter moderação”, afirma a nutricionista. 

Outro cuidado essencial é evitar constrangimentos relacionados ao corpo ou ao peso. Para Beatriz, a criança deve ser acolhida durante o processo de mudança de hábitos, com apoio e participação dos responsáveis. 

“Jamais colocar em cima da criança a questão de que a culpa é sua porque você engordou. Não. Você está acima do peso, precisa de acompanhamento, mas nós vamos fazer isso juntos. A mamãe/papai vai ajudar, o papai vai ajudar. Jamais constranger a criança em público”, destaca. 

A alimentação também não deve ser utilizada como castigo, ameaça ou recompensa. A construção de uma relação positiva com a comida contribui para reduzir o risco de dificuldades futuras e favorece escolhas mais conscientes ao longo da vida. 

Qualidade da alimentação é mais importante do que restrições 

Na infância, a alimentação precisa fornecer energia e nutrientes para o crescimento. Por isso, dietas restritivas sem orientação profissional podem prejudicar o desenvolvimento. A proposta é priorizar a qualidade dos alimentos oferecidos e criar oportunidades para que a criança experimente opções variadas. 

“Se a criança está com fome, ela pode comer. O que muda é o que eu vou oferecer para essa criança quando ela está com fome. É muito mais sobre oferecer coisas mais saudáveis e ajudar essa criança a entender que o saudável é melhor para ela”, explica Beatriz. 

A nutricionista recomenda persistência na apresentação de novos alimentos, respeitando as preferências individuais. Nem toda criança precisa gostar de tudo, mas é importante ampliar gradualmente o repertório alimentar e incentivar o consumo de frutas, verduras e outros alimentos nutritivos. 

Pequenas mudanças na rotina também podem fazer diferença. Planejar as refeições, oferecer água, incluir frutas nos lanches e incentivar brincadeiras e passeios ao ar livre são alternativas para aproximar a família de hábitos mais saudáveis. 

“Não é porque todo mundo toma um suco de caixinha e come uma bolacha todos os dias que meu filho precisa fazer o mesmo. Às vezes, é uma questão simples de organização, e a gente consegue mudar”, observa. 

O exemplo dos adultos também influencia as escolhas das crianças. Quando pais e responsáveis adotam hábitos equilibrados, aumentam as oportunidades de que os pequenos incorporem essas práticas naturalmente ao cotidiano. 

Tratamentos exigem avaliação individualizada 

De acordo com o documento da OMS, o acompanhamento deve considerar as necessidades de cada faixa etária, o desenvolvimento da criança ou do adolescente e o contexto familiar. O uso de medicamentos para emagrecimento não deve ser tratado como primeira opção. 

A indicação depende da idade, da condição clínica e de avaliação médica individualizada. Intervenções mais complexas, como a cirurgia bariátrica, são reservadas a situações específicas, com critérios rigorosos e acompanhamento especializado. 

Beatriz reforça que medicamentos e procedimentos não substituem a construção de hábitos saudáveis. O tratamento precisa considerar o histórico de acompanhamento, a magnitude do excesso de peso e as necessidades individuais de cada paciente. 

O cuidado precoce, segundo a nutricionista, pode facilitar a construção de hábitos saudáveis e reduzir as dificuldades enfrentadas durante a adolescência, fase em que as relações sociais e a influência dos colegas passam a ter maior peso nas escolhas cotidianas. 

Sesc Goiás oferece atendimento nutricional 

O Sesc Goiás oferece atendimento nutricional com orientações individualizadas que promovem a saúde, incentivam hábitos alimentares saudáveis e contribuem para a melhoria da qualidade de vida. O serviço é voltado à prevenção e ao cuidado nutricional, estando disponível para clientes do Sesc e para o público em geral.  

Para o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Marcelo Baiocchi Carneiro, “promover a saúde também significa investir em prevenção e orientação. Quando aproximamos a população de profissionais qualificados e de informações confiáveis, contribuímos para que crianças, adolescentes e suas famílias desenvolvam hábitos mais saudáveis, com reflexos positivos para toda a comunidade”, frisa.  

“O acompanhamento nutricional é importante para orientar as famílias de acordo com as necessidades de cada criança, respeitando seu desenvolvimento e sua individualidade. O Sesc Goiás busca contribuir para a promoção da saúde e do bem-estar por meio de serviços que valorizam a prevenção, a educação e o cuidado com as pessoas”, pontua o diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim.  

A nutricionista Beatriz Teixeira mais uma vez explica que o acompanhamento infantil deve envolver os pais ou responsáveis, ou a pessoa que participa mais diretamente da rotina da criança. Essa presença ajuda a compreender os hábitos da casa e a estabelecer mudanças possíveis de manter no dia a dia. 

“Um profissional vai te ajudar a pensar fora da caixa. Muitas vezes, a gente se perde na rotina corrida e acaba escolhendo o que é mais fácil, mas é possível mudar. Se eu for um bom exemplo para o meu filho, ele vai aprender isso de forma natural”, conclui. 

Onde buscar o atendimento?  

As consultas nutricionais são oferecidas nas seguintes unidades: Sesc Campinas, Sesc Centro, Sesc Universitário e Sesc Faiçalville, em Goiânia; Sesc Anápolis; Sesc Itumbiara; e Sesc Jataí. 

Para obter informações sobre agendamento, horários e condições de atendimento, entre em contato diretamente com a unidade desejada.  

Sesc Campinas 

Av. Rio Grande do Sul, nº 123, Setor Campinas — Goiânia. 

Telefone: (62) 3030-1675 / 3030-1845 

 

Sesc Centro 

Rua 15, esquina com a Rua 19, Centro — Goiânia. 

Telefone: (62) 3933-1700 

 

Sesc Universitário 

Av. Universitária, nº 1.749, Setor Universitário — Goiânia. 

Telefone: (62) 3522-6100 

  

Sesc Faiçalville 

Av. Ipanema, quadras 234/236, nº 1.600, Setor Faiçalville — Goiânia. 

Telefone: (62) 3412-7670 

 

Sesc Anápolis 

Av. Santos Dumont, esquina com Zeca Louza, Bairro Jundiaí — Anápolis. 

Telefone: (62) 3902-6900 / 3902-6901 

 

Sesc Itumbiara 

Rua Severiano de Paula, quadra 02, lote 17, Setor Bela Vista — Itumbiara. 

Telefone: (64) 3430-5501 

 

Sesc Jataí 

Rua Deputado Costa Lima, nº 2.034, Setor Santa Maria — Jataí. 

Telefone: (64) 3052-7700 

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