Publicado em 15/09/2026
Cerrado Galeria e Sesc apresentam a primeira exposição de Di Cavalcanti em Goiânia em novo ciclo expositivo
A mostra reúne pinturas e desenhos do modernista brasileiro produzidos entre 1925 e 1972 e divide espaço com a primeira individual do artista goianiense Walter Pimentel; a abertura acontece em 26 de setembro, com curadoria de Divino Sobral
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o dia 26 de setembro, sábado, a partir das 10h, a Cerrado Galeria abre as portas para seu novo ciclo expositivo com duas mostras simultâneas: Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, que apresenta pela primeira vez ao público goiano a obra de um dos nomes mais importantes da arte brasileira, e Anímica e estelar, primeira exposição individual de Walter Pimentel na galeria. Com curadoria de Divino Sobral, também diretor artístico da Cerrado Galeria, as exposições reúnem pinturas e desenhos que atravessam diferentes momentos da produção artística brasileira. A entrada é gratuita.
O Sesc Goiás está entre os realizadores da ação, reforçando assim o compromisso da instituição com a democratização do acesso à cultura. “O Sesc é uma das instituições que mais apoiam a cultura no Brasil, e iniciativas como esta contribuem para a formação do cidadão goianiense ao aproximá-lo de grandes referências da nossa produção cultural”, afirma o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac, Marcelo Baiocchi Carneiro.
“Acreditamos que a cultura precisa estar cada vez mais próxima das pessoas”, destaca Leopoldo Veiga Jardim, diretor do Sesc Goiás. “Trazer a obra de Di Cavalcanti para Goiânia é ampliar o acesso do público a um dos grandes nomes da arte brasileira”, completa.
A exposição de Di Cavalcanti reúne pinturas e desenhos datados entre 1925 e 1972, formando um arco temporal de cinco décadas que permite observar as transformações na produção do artista, suas relações com diferentes tendências da arte moderna e a permanência de temas recorrentes em seu repertório. A relação com a cultura brasileira está no centro da produção do artista, que escolheu o povo brasileiro como protagonista de sua obra figurativa.
“A obra de Di Cavalcanti foi construída em relação direta com o espaço que o cercava e com a época em que vivia, período de modernização do país. Sobretudo, resultou da interpretação subjetiva que fazia do ambiente em que nasceu e viveu, a cidade do Rio de Janeiro, formada pelas contradições sociais e econômicas, caracterizada por paisagem exuberante e ensolarada, marcada por farta cultura corporal e intensamente atravessada pela presença afrodiaspórica”, explica Divino Sobral.
A trajetória de Di Cavalcanti atravessa ainda a formação do modernismo brasileiro, visto que foi um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922, “com um programa que pretendia atualizar as maneiras de fazer arte e, ao mesmo tempo, defender as características da cultura nacional”, segundo o diretor artístico da Cerrado Galeria. Depois de viver em Paris e ter contato com artistas como Picasso, Braque, Léger e Matisse, Cavalcanti retorna ao Brasil e passa a dedicar-se ainda mais à construção de uma produção artística ligada à identidade cultural brasileira.
Anímica e estelar
Ao lado da exposição de Di Cavalcanti, Anímica e estelar, de Walter Pimentel, artista goianiense nascido em 1998, reúne trabalhos produzidos entre 2025 e 2026, associando pinturas executadas com guache e têmpera sobre papéis a obras realizadas com tinta a óleo sobre tela e madeira, com adição de relevos em espuma expandida ou fibra de vidro.
A produção de Pimentel parte de registros fotográficos feitos pelo próprio artista ou apropriados de fotógrafos desconhecidos. “Em suas pinturas, imagens familiares e domésticas são cobertas por um véu de mistério, assumindo uma dimensão fantasmática que desloca sua função documental. Retratos extraídos de fotografias de velhos álbuns, paisagens imaginadas e animais domésticos são reconstruídos pela memória, pela imaginação e por experiências espirituais, passando a viver em uma temporalidade própria”, descreve Divino Sobral.
De acordo com o curador, as obras de Walter Pimentel respondem à crise espiritual vivenciada pela humanidade no século 21, “ocasionada pela exacerbação da cultura materialista e pelos desastres do antropoceno”. Sua pintura investe na tradição figurativa e em uma simbologia que leva a refletir sobre o ciclo da vida e da morte, acreditando na possibilidade de transformar a dor em beleza para curar traumas e feridas individuais e coletivas.
Embora pertençam a contextos históricos e geracionais distintos, as duas exposições apresentam pesquisas que se relacionam com a figuração e com a construção de imagens capazes de refletir sobre a experiência humana. De um lado, a obra de Di Cavalcanti, que encontrou na cultura popular brasileira e na realidade social do Rio de Janeiro as bases para sua produção modernista; de outro, a pintura de Walter Pimentel, que investiga a memória, a espiritualidade e a dimensão simbólica da imagem a partir de uma linguagem contemporânea.
Sobre Di Cavalcanti
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo nasceu em 1897, no tradicional bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Ao longo de cerca de seis décadas, atuou como desenhista, ilustrador, cartunista, gravador, pintor, muralista e jornalista, tornando-se um dos nomes mais importantes da arte brasileira e ícone do modernismo nacional.
Teve suas primeiras aulas com o artista Puga Garcia e publicou suas primeiras ilustrações em 1914, na revista Fon-Fon. Em 1922, participou da organização da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, e, em 1932, tornou-se um dos fundadores do Clube de Artistas Modernos, em São Paulo.
Entre 1923 e 1925, viveu em Paris, onde frequentou a Académie Ranson e teve contato com artistas como Picasso, Braque, Léger e Matisse. De volta ao Brasil, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil, em 1928, e manteve uma atuação socialmente comprometida, influenciada também pelo Muralismo Mexicano.
Na década de 1950, integrou a delegação brasileira na primeira apresentação do país na Bienal de Veneza, teve uma sala especial dedicada à sua obra na I Bienal Internacional de São Paulo e conquistou o Prêmio Nacional de Pintura da II Bienal Internacional de São Paulo, em 1953. Sua obra esteve presente em diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo ao longo das décadas seguintes. Di Cavalcanti faleceu em 1976, no Rio de Janeiro.
Sobre Walter Pimentel
Walter Pimentel nasceu em Goiânia/GO, em 1998, e integra o grupo de jovens artistas que promove a renovação da cena goiana de arte contemporânea. Concluiu, em 2024, o Bacharelado em Artes Visuais pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás e, em 2019, participou da Residência Artística da Escola de Artes Visuais da Secretaria de Cultura de Goiás.
Em 2022, recebeu três premiações consecutivas: Prêmio Aquisição do 19º Salão Nacional de Arte de Jataí, Prêmio Aquisição do 3º Salão Nacional de Pequenos Formatos do MABRI e Prêmio Estímulo da Fargo, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia. Realizou a exposição individual Carnação, no Centro Cultural Octo Marques, em Goiânia, em 2024. Em 2026, foi selecionado para a exposição individual A estrela que nutre a carne, no 35º Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, em São Paulo.
Entre suas exposições coletivas, destacam-se Manarairema: arte contemporânea em Goiás, no Museu Goiano Zoroastro Artiaga; Abismal… abissal, na Cerrado Galeria, em Brasília; Mapas em brasa, na Galeria da FAV, em Goiânia; O salto da imagem para a pintura, no Museu da Imagem e do Som de Goiás; e A casa sente a força do terreno em que habita, na Cerrado Galeria, em Goiânia e Brasília.
Sobre o curador
Divino Sobral é crítico de arte e curador, com pesquisa dedicada à produção moderna e contemporânea brasileira, especialmente do Centro-Oeste. Foi diretor do Museu de Arte Contemporânea de Goiás (2011–2013) e recebeu prêmios como o Maria Eugênia Franco (ABCA, 2022) e o Marcantonio Vilaça (CNI SESI SENAI, 2015). Atualmente, é diretor artístico da Cerrado Galeria, além de curador do programa de residência artística do NACO.
Sobre a Cerrado Galeria
A Cerrado Galeria atua no campo da arte contemporânea com foco na descentralização do circuito brasileiro. Sua atuação se desdobra entre Goiânia e Brasília: na capital goiana, ocupa uma casa modernista projetada por David Libeskind, com 500 m² adaptados para exposições simultâneas; no Lago Sul, em Brasília, mantém uma chácara que acolhe exposições e projetos culturais de diferentes escalas. Inaugurada em 2023, a galeria desenvolve um programa que articula diferentes gerações e linguagens, promovendo exposições, ações educativas e atividades com artistas, curadores e críticos de arte.