Publicado em 06/10/2026
Vila Cultural Cora Coralina recebe exposição de Vik Muniz pela primeira vez em Goiânia
- Cultura
Sesc Goiás apresenta “REVER: imagem e reflexão”, mostra que reúne mais de 60 obras e percorre quase quatro décadas da trajetória de um dos artistas brasileiros de maior reconhecimento internacional
A Vila Cultural Cora Coralina recebeu, nesta segunda-feira (5), a abertura da exposição “Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão”. Pela primeira vez em Goiânia, um dos artistas brasileiros de maior reconhecimento internacional apresenta mais de 60 fotografias produzidas ao longo de quase quatro décadas de trajetória. A mostra chega à capital em um momento especial da carreira do artista, que, em 2027, completa 40 anos de sua primeira exposição.
Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra reúne diferentes fases da carreira de Vik Muniz e apresenta obras em que o artista recria imagens marcantes da história da arte a partir de diferentes materiais e técnicas. Entre as referências presentes em seu trabalho estão nomes como Leonardo da Vinci, Pablo Picasso e Andy Warhol.
Durante o lançamento, Muniz também falou sobre sua relação com o Sesc, instituição que, segundo ele, teve papel importante em sua formação cultural. O artista contou que, aos 17 anos, ao sair da escola, entrou pela primeira vez no Sesc Pompeia, em São Paulo, e descobriu um universo até então distante de sua realidade.
“Quando eu tinha 17 anos, saindo do colégio, entrei por uma porta e perguntei na recepção o que havia ali e fui informado de que era uma biblioteca e também um teatro, era o Sesc Pompeia. Aquilo abriu, para um menino da periferia de São Paulo que não tinha muito acesso a amostras, peças de teatro, um universo que é parte da história que hoje me traz aqui. Passei parte da minha juventude nesse lugar e devo muito ao Sesc, que é tão importante para a cultura brasileira. O Sesc faz muito bem, consistentemente, isso. Não é novidade”, afirmou o artista.
Acesso à cultura
Para Vik, a experiência que teve no Sesc durante a juventude também ajuda a explicar a importância de iniciativas que aproximam a população da arte e da cultura.
“O Sesc é importantíssimo. Ele foi fundamental para mim. Eu tive a oportunidade de ter acesso a teatro, shows, exposições e workshops. Eu fui exposto a isso porque o Sesc me proporcionou. E só melhora. A participação do Sesc na cultura, de fazer essa ponte tão necessária de acesso, é muito importante”, disse.
O artista também destacou a capacidade da instituição de levar cultura a públicos que nem sempre têm acesso a espaços de arte. “Até hoje, quando eu vou ao Sesc, são projetos fascinantes, e tem essa qualidade de ser acessível e de fazer essa conexão entre a população e as artes. É uma bandeira que eu levanto. A primeira vez que meus pais, por exemplo, pisaram em um museu foi para ver uma arte minha. São pessoas muito simples. E fico pensando que a arte contemporânea é uma coisa séria, faz as pessoas saírem da rotina e repensarem. Ter o Sesc, que faz isso de forma democrática, aberta e dinâmica, trazendo cultura de qualidade para segmentos da população que não estariam expostos a esse tipo de exposição, é muito, muito importante. É um trabalho que tem uma necessidade muito grande de acontecer, e o Sesc tem preenchido isso”, explica Muniz.
Vik também agradeceu aos profissionais envolvidos na realização da exposição e destacou a qualidade da produção. “Estou muito feliz com o retorno e agradeço a todos os envolvidos na mostra. O Sesc tem essa qualidade de executar dessa maneira, de forma profissional e rápida. É muito bom poder trazer esse trabalho para cá”, comentou.
Entre as obras apresentadas em Goiânia está uma peça que, para Vik Muniz, carrega um significado especialmente pessoal. Produzida com milhares de flores, a obra foi realizada no terreno onde Vincent van Gogh brincava com o irmão. Vik contou que a produção da obra coincidiu com o incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018, episódio que marcou profundamente sua relação com a memória e o patrimônio cultural brasileiro.
“Essa obra é muito importante para mim e conta muitas histórias. No dia em que realizei essa obra, feita com milhares de flores, ela foi realizada no terreno onde Van Gogh brincava com o irmão, na casa onde ele nasceu, em uma cidade chamada Zundert, na Holanda. Esse dia ficou marcado pelo incêndio do Museu Nacional. Foi um dia de extrema felicidade para mim, porque fiz uma obra complexa, e, ao mesmo tempo, vivi um momento de extrema tristeza, vivenciando algo tão triste que foi o incêndio”, relembra.
Para o artista, levar a obra ao Sesc Goiás também encerra um ciclo pessoal. “É muito significativo trazer essa obra para o Sesc e ter uma obra minha no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. É uma obra única e representa algo muito particular para mim. E agora ela arrumou uma casa bacana. Essa obra vai para o Sesc Goiás, que tem uma importância muito pessoal para mim” explicou.
Arte para novas reflexões
O diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, destacou a importância de receber a exposição em Goiânia e ampliar o acesso do público à produção de um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. “O Sesc abre hoje mais uma importante exposição em Goiânia, que traz um grande artista brasileiro, Vik Muniz, e suas obras, que certamente levam a profundas reflexões e vão fazer com que o público goiano tenha acesso ao que há de melhor na arte e na cultura do Brasil”, afirmou.
O lançamento contou ainda com a presença da vice-prefeita de Goiânia, Cláudia Lira, da secretária de Estado da Cultura de Goiás, Yara Nunes, além de jornalistas da imprensa goiana, convidados e representantes do setor cultural.
“REVER: imagem e reflexão” é realizada pelo Sesc Goiás, com apoio da Nara Roesler, correalização da Secult e idealização da Entrearte.
A exposição está aberta à visitação na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro de Goiânia, até 31 de janeiro de 2027. A entrada é gratuita, das 9h às 17h.
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