Logo Sesc Goiás

Publicado em 27/05/2026

Respeito: A importância de construir relações saudáveis no espaço escolar

Crianças do Ensino Fundamental se reuniram na biblioteca do Sesc Cidadania para aprender sobre empatia, boa convivência e a arte da prática do respeito

Com muita sensibilidade, imaginação e incentivo à leitura, os alunos dos 1º anos do Ensino Fundamental participaram, nos dias 20 e 21 de maio, de uma contação de histórias na biblioteca do Sesc Cidadania. O momento lúdico teve como objetivo trabalhar o respeito como um valor intrínseco a instituição do Sesc, orientando muito bem as crianças acerca da construção de relações saudáveis dentro do ambiente escolar e como isso pode proporcionar um ambiente que fortalece o aprendizado a longo prazo.

A sala de aula é um espaço que deve ser preservado como ferramenta de formação integral para as crianças. Isso vai além das regras básicas das instituições e engloba o exercício de valores cruciais para que as crianças possam conviver em harmonia entre si. Exemplo desses valores são: o respeito, a empatia e o cuidado com cada criança e suas necessidades individuais. A empatia tem sido um sentimento muito estudado nos últimos anos como uma tentativa dos docentes de buscar explicações para o aumento de violência nas escolas, e elaborar soluções para a hostilidade que as crianças sofrem, suavizando assim a preocupação de pais e familiares. Sentir empatia é se comover com o estado emocional do outro em que se convive.

Educar para a Arte

Segundo Evelina, bibliotecária do Sesc Cidadania, o respeito é um comportamento que deve ser estimulado como uma prática diária nas crianças. Para ela, como uma funcionária da instituição, a Cultura de Plateia do Sesc tem grande responsabilidade em educar as crianças para a arte. Muitas vezes, educar para a arte envolve instruir os alunos com histórias leves e divertidas para que se tornem bons cidadãos.

“Quando a gente trabalha com cultura, estamos voltados para a literatura, para as artes cênicas, as artes musicais, então todas as pessoas que assistem são plateia. Quando você insere as crianças nessa prática, as educam como plateia para que saibam sentar, prestar atenção no que está sendo passado, aprender a escutar e também quando fazer silêncio. A cultura de plateia é uma forma de educar para a arte”.

Evelina enfatiza que, desde a Educação Infantil, as crianças são protagonistas e participantes em tudo o que o Sesc faz. O que mais inspira Evelina em seu trabalho, é perceber que as crianças são tão bem educadas e ambientadas, que acabam influenciando de forma positiva outras crianças e até adultos que não foram da Educação Infantil.

“É incrível essa questão das crianças, uma explica para a outra, segura a outra, ensina a outra. Vejo as crianças do Sesc como protagonistas. E quando não são, a gente transforma.”

Educar Para a Arte

Respeito às diferenças

Para Claudia Ricardo, coordenadora pedagógica do Sesc Cidadania, é fundamental trabalhar o respeito às diferenças e às necessidades uns dos outros através do letramento emocional de cada criança. Compreender as próprias emoções é a base do funcionamento de qualquer ser humano que busque transformar ambientes e melhorar a convivência de modo geral.

“Então, nessa faixa etária, as crianças não compreendem muito bem como lidar com as próprias emoções. Geralmente, elas trazem as frustrações para o ambiente escolar e para o convívio social, por isso é muito importante que tenhamos a sensibilidade de trabalhar com elas o afeto, o respeito e o acolhimento para que consigam de fato verbalizar o que elas realmente estão sentindo. Trabalhamos muito a empatia com as crianças”.

De acordo com Cláudia, não é fácil trabalhar a empatia com crianças diferentes, mas isso acontece porque essa emoção não é algo fácil de se exercitar em seres humanos de modo geral. Trabalhar a empatia é difícil tanto em crianças, quanto em adultos. No entanto, o gerenciamento das emoções nos alunos da instituição através do ato de se colocar no lugar do outro previne bullying, brigas e hostilidades. Analisando mais profundamente, é possível constatar também que a empatia tem um papel relevante na infância e na adolescência, porque possui um fator que inibe o comportamento antissocial, além de privilegiar e promover a adaptação pessoal e social.

Entretanto, pregar a empatia como um valor é construir uma reserva de boas emoções que vai melhorar a abordagem multidimensional das crianças na vida. A dimensão cognitiva e a afetiva são fortalecidas através do ato de educar as crianças para a arte. Para Adriana Faria Teles, psicóloga do Sesc Cidadania, o respeito vai muito além da simples convivência.

“Nesse projeto nosso, por exemplo, em que o tema é Convivência: trabalhando e construindo relações saudáveis no ambiente da escola, o respeito é um com o outro, nas relações, em grupo. Se eu não consigo sozinha, o outro também não consegue e isso não é diferente no ambiente escolar. Deve ser um exercício coletivo sempre”, afirma Adriana.

Cláudia e Adriana enfatizam que a empatia e o respeito são trabalhados de forma unânime com as crianças. A abordagem não muda para com as crianças com TEA – Transtorno do Espectro Autista.

Adriana, Cláudia e Evelina

Para Helena, de 6 anos, o respeito é cuidar das crianças, não machucar, não bater e não empurrar. “Tem gente que não respeita as outras crianças, aí eu queria dizer para elas respeitarem os seus amigos”.

“Respeito para mim é cuidar dos outros, não fazer coisa errada e não machucar o colega. Hoje aprendi a não bater, a não dar soco e não chutar”, conta Eloá (6 anos). Lorenzo, TEA nível 1 de suporte, conta que se sente respeitado por seus colegas de sala. Já Stanley, de 6 anos, diz que o que mais gostou de aprender, foi que as mãos não foram feitas para bater e sim abraçar.

Lorenzo, Stanley e Helena.